Funarte lança ‘O Uso criativo de acervos fotográficos’ e ‘Arquivos e coleções privados Cedoc/Funarte – Guia Geral

A Fundação Nacional de Artes – Funarte lançou, na terça-feira, 21 de junho, na Livraria da Travessa de Botafogo – Rio de Janeiro (RJ) duas publicações: O Uso criativo de acervos fotográficos, o oitavo volume dos Cadernos Técnicos de Conservação Fotográfica, produzido pelo Centro de Conservação e Preservação Fotográfica (CCPF); e o livroArquivos e Coleções Privados Cedoc/Funarte – Guia Geral, elaborado pelo Centro de Documentação e Informação (Cedoc). Os dois setores, além da Gerência de Edições, que produziu as obras, são ligados ao Centro de Programas Integrados (Cepin) – Funarte. O público prestigiou o evento e lotou o espaço.

Lancamento-livros-16.06.2016.-creditos-no-destaque.-Fotos-S.-Castellano

Acima, da esq. para a dir., Caroline Cantanhede e Fabiana Fontana, do Cedoc – Funarte, setor que organizou “Arquivos e Coleções Privados/Cedoc Funarte – Guia geral”, e Filomena Chiaradia, gerente de edições da Fundação. Abaixo, Pedro Karp Vasquez, autor de “O Uso criativo de acervos fotográficos”, e Sandra Baruki, coordenadora do CCPF – Funarte

Exposições e publicações dão vida à fotografia

De autoria de Pedro Karp Vasquez, O Uso criativo de acervos fotográficos é baseado numa série de oficinas ministradas pelo autor, a convite do CCPF, em instituições de acervo de vários estados. O tema principal foi o trabalho criativo de curadoria e de montagem de exposições e publicações fotográficas. A proposta do livro é divulgar trabalhos brasileiros e estrangeiros, contribuindo para a difusão da conservação e da preservação fotográficas, criando uma bibliografia sobre esse campo; além de capacitar profissionais envolvidos com a memória da fotografia e das artes– principalmente os que trabalham em museus, centros culturais e na produção de exposições.

A obra foi apresentada ao público por Sandra Baruki, coordenadora do CCPF. “A produção dos Cadernos Técnicos de Conservação Fotográfica é um dos principais programas do Centro. Documentam nossas ações e sua continuidade, desde quando essa missão de difundir informação começou no início dos anos 1980, como uma das prioridades da política de estado para a fotografia. Naquela década, foi publicado um Programa de Preservação e Pesquisa da Fotografia”, relembra Sandra. “No fim da década de 1970, foi instituído um núcleo para essa linguagem. Depois, em 1984, o Instituto Nacional da Fotografia, com Pedro Karp Vasquez como seu primeiro diretor”, prossegue a coordenadora, que atua no programa desde 85. “Preservação é um trabalho de resistência, do profissional e das políticas públicas. A atividade têm passado por problemas, ao longo desse tempo. Já perdemos uma sede. Mas nos reerguemos: chegamos a 2016 com um relatório de capacitação, (disponível no blog do CCPF) que registra 27 oficinas, com cerca de 500 alunos, feitas no ano passado. Os cursos e os Caderno Técnicos são hoje nossas ações primordiais. Toda essa atuação institucional de toda uma geração mostra o significado da fotografia, como documento histórico e obra de arte; e o valor de sua preservação. É nesse sentido que o livro O Uso criativo de acervos fotográficos fala do aproveitamento e da valorização das coleções; e da compreensão da fotografia e de sua exposição – também como meios de preservação. O acesso à imagem é indispensável no mundo das novas tecnologias atuais. Por isso, a preservação tornou-se também mais essencial. Portanto, o CCPF está sempre à disposição de alunos e pesquisadores”, resume Sandra Baruki.

Pedro Karp Vasquez declarou: “Agradeço à Funarte pela oportunidade rara de elaborar esse livro. Em cada lugar onde eu ministrava as oficinas que originaram a obra, elas tinham um feitio e públicos diferentes: historiadores, museólogos, conservadores, arquivistas, pesquisadores e fotógrafos, além de leigos. Por isso, a publicação serve para todos esses grupos – até para acervos pessoais -. Há fotógrafos que têm uma grande coleção, mas não sabem disponibilizá-las numa mostra, num livro ou num site. O objetivo do trabalho é ajudar a vivificar essas imagens. É preciso que elas sejam difundidas. E que o conhecimento produzido pela nação brasileira, nosso ‘ativo cultural’, seja acessível a todos. Essa circulação, principalmente digital, é mais valiosa ainda num país com a extensão do nosso. A Funarte é sui generis no campo da fotografia, porque se ocupa de sua  preservação, por meio do CCPF.

Um trabalho coletivo da equipe do Cedoc/Funarte

Arquivos e coleções privados Cedoc/Funarte – Guia geral foi apresentado por Caroline Cantanhede, mestre em História, Política e Bens Culturais pela Fundação Getulio Vargas, servidora documentalista do Cedoc/Funarte – que organizou o trabalho juntamente com Fabiana Fontana, graduada em Teatro e doutora em Artes Cênicas – Historiografia do Teatro e prestadora de serviços do Centro. Realizada através de um trabalho coletivo da equipe do Cedoc, a publicação reúne informações básicas sobre cada acervo particular disponível na instituição. O foco do grupo de trabalho foi dar publicidade a todo o material que está sob a guarda do Cedoc há muitos anos. “Um patrimônio documental único”, de grande importância para as artes no Brasil – “principalmente para a história do teatro e da dança” – destacam Caroline e Fabiana.

Caroline Cantanhede lembra que a preservação da memória das artes é uma das missões da instituição. “O Guia é um primeiro passo para a divulgação de um acervo muito vasto no campo artístico, que o Cedoc – Funarte custodia. A obra tem ainda o papel de consolidar a organização e os critérios técnicos arquivísticos no trato de arquivos e coleções – com documentos produzidos e acumulados por artistas, críticos, produtores e pesquisadores. A servidora lembrou que a maior parte dos arquivos e coleções do Cedoc/Funarte foi adquirida em campanhas de doação, empreendidas pelas instituições antecessoras da atual Funarte: Serviço Nacional do Teatro (SNT), Instituto Nacional de Artes Cênicas (Inacen) e Fundação Nacional de Artes Cênicas (Fundacen), Instituto Brasileiro de Arte e Cultura (IBAC). Há também peças de origem não identificada. “Devido a essa origem, as artes cênicas estão mais presentes nesse acervo, que depois foi reunido ao acervo das instituições extintas de outras áreas, e da própria Funarte – anterior à incorporação do antigo IBAC e atual. Essa trajetória institucional também está refletida no conjunto”, disserta Fabiana Fontana. Ela ressalta que o Cedoc – Funarte protege um material de valor inquestionável e inigualável para a memória das artes no nosso país e que é marcante o papel do Centro e todo o seu empreendimento de preservação (e agora de divulgação) desses documentos, para as futuras pesquisas, que precisam ser desenvolvidas – tanto na historiografia quanto no estudo das artes, como teatro, dança e circo.

Estiveram no lançamento as duas mestras em Ciência da Informação e antigas coordenadoras do Cedoc: eque escreveram o prefácio: Maria Helena Dodd Ferrez, historiadora,  expert em documentação e informação em arquivos, museus e centros de documentação; e em disponibilização de acervos online; e Denise Portugal Lasmar, realizadora do projeto de organização que originou a publicação, “O Guia é um instrumento de pesquisa que arrola todos os acervos privados do Cedoc – Funarte, de forma sucinta. Como eles são preciosos, sobretudo para a história das artes cênicas no Brasil, é uma obra muito importante na divulgação desse conjunto para pesquisadores dessa área – que antes não era tão estudada. A obra cataloga esses diversos inventários, geralmente desconhecidos da população”, comentou Helena. Denise Portugal destacou que o Guia coroa toda uma empreitada, não só de preservação, como também de tratamento, de higienização e preparo das coleções. “Elas ficaram em condições ideais para consulta e não apenas armazenadas. Estão com o devido controle de organização, e disponíveis. O Guia realiza a divulgação desse patrimônio, que já fundamentou muitos trabalhos universitários e outras publicações”. Denise destacou que, continuamente, acadêmicos de todos os níveis consultam e citam o Cedoc/Funarte.

Também prestigiaram os lançamentos a diretora do Centro de Programas Integrados, Maristela Rangel e profissionais das diversas áreas relacionadas aos livros, professores, estudantes, outros servidores da Funarte e público leigo.

As mais recentes edições da Funarte

Os livros que a Funarte lançou, em 2016, resultam de um trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Cepin, no sentido de capacitar profissionais na área de preservação fotográfica; e de divulgar o rico acervo do Cedoc.

A gerente de edições da Funarte, Filomena Chiaradia, destaca que essas duas obras encerram a série de oito publicações de 2016. “Os outros lançamentos foram planejados em 2013 e 2014. As edições em sequência, desde março deste ano, marcam um trabalho de difícil execução. Foram cinco publicações sobre teatro – três delas de cunho bem historiográfico, também alicerçadas em arquivos do Cedoc/Funarte: Luiz Carlos Mendes Ripper: : poesia e subversão ,O Teatro do Estudante do Brasil de Paschoal Carlos Magno e o Teatro Duse: o primeiro teatro-laboratório do Brasil. Tais obras, como este Guia, em sua maior parte é ligado às artes cênicas (embora envolva outras áreas) – e os livrosSérgio Britto – Memória a dois e, Stanislávski, vida obra e sistema; e ainda uma obra relacionado à música, O Rio de Ernesto Nazareth; além do caderno técnico de fotografia”, enumera Filomena. “Com esforço, conseguimos que esses lançamentos ocorressem em livrarias, o que há muito tempo não era possível. A parceria com a Livraria da Travessa [RJ] e a Livraria da Vila [SP] foram muito interessantes, primeiro pelo espaço para convidados dos autores apresentarem as obras ao público, como leitores qualificados – eles forneceram resumos comentados sobre cada publicação –; a cooperação dessas livrarias também é importante porque dá mais visibilidade às edições, expondo os exemplares nas várias filiais das redes – além de estarem na Livraria Mário de Andrade, da Funarte [Rio], como sempre”. A gerente de edições espera conseguir colocar as próximas publicações novamente em pontos de venda fora da esfera da entidade.

Fonte: http://www.funarte.gov.br/artes-integradas/

Publicado em: 27.06.2016

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